segunda-feira, 6 de maio de 2019

Da técnica a arte


No meu último post coloquei uma imagem similar a esta, mas o que se passou atrás da lente foi algo completamente diferente. A prática solitária é de fundamental importância no caminho de um praticante de Kung Fu, a fotografia do post passado é sobre um desses momentos, mas nem sempre é assim. Com muita frequência recebemos ajuda e cuidados de diversas pessoas.
Nesse episódio recebi ajuda direta de dois irmãos Kung Fu: Meu Si Hing Leonardo Reis, que vem criando situações propícias para que eu entenda melhor o uso do Luk Dim Bun Gwan(nome do bastão); e Rafael Pombo que fez esse registro fotográfico para mim. Todas essas pessoas, e muitas outras, fazem parte da família Moy Jo Lei Ou. Uma família que tem como compromisso garantir que todos aqueles que à ingressem tenham a possibilidade de se refinar como seres humanos. Todas tenham a possibilidade de aprender a viver com arte. E todos nós só estamos juntos nesse caminho graças a nosso Si Fu.



Mais tarde, ainda no mesmo dia, tivemos uma prática aonde pudemos experimentar algumas técnicas em duplas. A palavra técnica vem do grego téchne, que se traduz por “arte” ou “ciência”. Uma técnica é um procedimento que tem como objectivo a obtenção de um determinado resultado, seja na ciência, na tecnologia, na arte ou em qualquer outra área.
Muitas pessoas podem encarar um arte marcial como um punhado de técnicas; mas acredito eu que essa definição seja pobre. Ouvi meu Si Fu falando sobre isso diversas vezes, e minha conclusão é que a arte não está na ténica, mas sim em como nós a executamos. Ving Tsun não é sobre lutar, é sobre fazer tudo com maestria; inclusive lutar.

A marcialidade não está na luta em si. É possivel lutar sem marcialidade, e é possivel reunirmos a família de maneira marcial. A marcialidade nasce na maneira que encaramos os eventos, e não dos eventos em si. E para a marcialidade se tornar arte depende de nós mesmos, de como executamos tudo em nossas vidas e não somente movimentos técnicos. No início de uma prática marcial, muitas vezes, o vínculo é com as aulas, mas o objetivo final não é somete esse. No fundo o que queremos é criar vínculos com pessoas, com nosso Si Fu e nossos irmãos Kung Fu. O início pode se dar através da prática de algumas técnicas, mas a arte de viver melhor é muito mais que isso. Para sermos humanos melhores precisamos exercitar nossa humanidade, e por definição só podemos exercer humanidade na relação com outro humano. A família Kung Fu é algo muito especial, desconheço um grupo aonde tantas pessoas se dediquem, com tanto afinco, a entender melhor a relação que existe entre elas; seja a relação do toque dos punhos durante uma prática, ou simplesmente a relação entre a fala de um e a escuta do outro, ou qualquer outra que possamos imaginar.